Acesso rápido ao coquetel HIV

Portador de HIV que se relaciona com pessoa sem o vírus poderá ter acesso antecipado ao coquetel

Pessoas infectadas pelo HIV que vivem relacionamento com parceiro sem o vírus poderão ter o início do tratamento[bb] com antirretrovirais antecipado. A estratégia, que tem como objetivo diminuir o risco de contágio pelo HIV da outra pessoa, está em estudo pelo Departamento de Aids, DST e hepatites virais do Ministério da Saúde. Ontem, a Fundação Oswaldo Cruz divulgou pesquisa mostrando que 70% das mulheres soropositivas que tinham parceiro fixo quando foram infectadas relatam que esse relacionamento estável foi a fonte da contaminação.

“O objetivo será diminuir a possibilidade de transmissão. Uma pessoa em tratamento com antirretroviral que esteja com carga viral indetectável tem risco de transmissibilidade menor”, explica Ronaldo Hallal, assessor técnico do departamento, acrescentando que hoje o ministério recomenda o início do tratamento com medicação aos pacientes que já apresentem baixa na imunidade.

Conforme O DIA vem mostrando na série ‘O Amor nos Tempos da Aids’, os novos medicamentos e terapias possibilitaram o aumento da expectativa de vida dos soropositivos. Nesse contexto, não é rara a formação de casais sorodiscordantes, como são chamados aqueles formados por uma pessoa com o HIV e outra que não tem o vírus.

Em todo o Brasil, casais sorodiscordantes que têm “acidentes sexuais” em que há risco de contaminação, como furo no preservativo, já recebem uma profilaxia. “Quando isso ocorre, o negativo deve receber antirretrovirais o mais rápido possível. A medicação impede a multiplicação do vírus[bb] e faz com que o sistema imunológico o combata”, explica Alexandre Chieppe, coordenador da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil.

Chieppe afirma ainda que casais sorodiscordantes têm menor risco de contágio pelo HIV quando as duas pessoas conhecem suas sorologias. “Quando o casal sabe que um deles é soropositivo, o cuidado é maior. Eles se protegem mais do que a população geral porque a população geralmente não se considera em risco e, por isso, faz sexo sem preservativo”, alerta o médico.

A pesquisa da Fiocruz aponta para o risco da falta de prevenção. O trabalho avaliou dois grupos de mulheres — um com HIV e outro sem o vírus — e mostrou que o número de parceiros sexuais dos dois grupos não são muito diferentes. Com relação ao uso de preservativos, as diferenças são grandes: 32% das mulheres que não têm a doença relataram que nunca os usavam e 46,1% o usavam às vezes. “Tais porcentagens foram significativamente maiores para mulheres com HIV ao se referirem à época da infecção: 62% nunca usavam e 32,3%, às vezes”, diz a pesquisa.

O estudo mostrou ainda que entre as 1.777 mulheres que relataram infecção pelo vírus da Aids, 1.098 afirmaram ter parceiro fixo no momento da entrevista. A origem da doença é desconhecida para 22%, que não sabiam se foram infectadas pelos namorados ou maridos ou não. Entre as 70% que afirmam ter sido contaminadas em relações estáveis, 38% citam que o parceiro estável teve múltiplas parceiras sexuais ou era bissexual. O uso de drogas por parte dos parceiros foi citado por 17,3% delas. O trabalho aponta para a dificuldade de negociação do uso do preservativo.

ONU defende reprodução assistida

O acesso ao tratamento de reprodução para casais sorodiscordantes em que o marido é soropositivo — que praticamente zera o risco de contaminação da parceira e do bebê — deveria ser ampliado no Brasil, diz Pedro Chequer, coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil. As dificuldades desses casais de gerar filhos foi mostrada ontem por O DIA. “O direito à paternidade e à maternidade é questão de direitos humanos. É necessário ampliar as políticas públicas aos sorodiscordantes”.

No Rio, Alexandre Chieppe, da Secretaria Estadual de Saúde, afirma que há previsão de que o Hospital Pedro Ernesto tenha, no próximo ano, laboratório que faça a ‘lavagem’ do sêmen, livrando-o do vírus. A técnica, que possibilita que soropositivos sejam pais sem riscos, é de altíssimo custo. Diretora do Departamento de DST, Aids e hepatites do Ministério da Saúde, Mariângela Simão afirma que o governo discute a possibilidade de recomendar a antecipação do tratamento com o coquetel aos sorodiscordantes que optam por ter filhos. “A gente trabalha com a ideia de que pessoas com HIV constroem famílias. Virar as costas para isso faz com que as pessoas acabem engravidando sem as medidas adequadas e corram riscos”, diz.

Soropositiva há 15 anos, Mara Moreira, 33, do grupo Pela Vidda Rio, vive relacionamento sorodiscordante. “Fui contaminada por meu primeiro marido. Nos casamos em 1995 e no ano seguinte ele ficou doente. Depois de viúva, tive um namorado que terminou quando a mãe dele soube que eu estava com HIV. Há quatro anos, conheci meu marido. Contei a ele no quinto encontro. Tive medo que ele sumisse, mas um ano depois estávamos casados”.

DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS: CRISTO VERMELHO

ILUMINAÇÃO ESPECIAL NO CRISTO
Hoje é o Dia Mundial de Combate à Aids. O Cristo Redentor vai ganhar, à noite, iluminação[bb] especial em vermelho, cor símbolo da Campanha Mundial de Prevenção contra a Aids. A iniciativa é da Arquidiocese do Rio e organizações sociais.

CINELÂNDIA
Com o tema “Nós não queremos viver na Corda Bamba! Queremos viver a vida com dignidade!”, voluntários do Grupo Pela Vidda/RJ realizarão hoje, das 11h às 15h, um ato público na Praça da Cinelândia com o objetivo de sensibilizar, mobilizar e orientar toda a sociedade contra o preconceito, a discriminação e a exclusão social.

CENTRAL DO BRASIL
Profissionais do Sesc Rio darão orientações de prevenção em duas tendas, das 8 às 16h. Haverá distribuição de preservativos.

SANGUE SEGURO
Associação dos Serviços de Hemoterapia realiza, na estação Carioca, das 8h às 12h, um evento para informar sobre um teste mais eficaz na triagem das bolsas de sangue: o NAT.

Fonte: O Dia


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